O nascimento da Igreja: um grão de mostarda regado pelo sangue dos mártires
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| Imagem de Iso Tuor por Pixabay |
Em Pentecostes, essa Igreja já nascida foi ungida e fortalecida pelo Divino Espírito, que desceu sobre todos aqueles que haviam acolhido a orientação de Jesus: “Não vos afasteis de Jerusalém, mas esperai aí o cumprimento da promessa do Pai” (cf. At 1,4).
Houve então uma forte ventania, línguas como de fogo se manifestaram, e todos ficaram repletos do Espírito Santo (cf. At 2,1-4); estavam reunidos em Jerusalém homens e mulheres de diversas nações (cf. At 2,5-11). As portas do Cenáculo se abriram e, sem temor, anunciaram ao mundo o Cristo vivo e ressuscitado (cf. At 2,14-36). Eis o pontapé inicial para a expansão da Igreja.
Inicialmente pequena, como um grão de mostarda (cf. Mt 13,31-32), mas sustentada pelos Doze Apóstolos, ela começou a brotar, a ganhar força e a se ramificar, de modo a abrigar em seus ramos os “pássaros” e seus ninhos — as nações chamadas à salvação (cf. Mt 13,32).
A cada anúncio, a manifestação da graça de Deus tornava-se visível: inúmeras conversões aconteciam, entre elas a de Saulo, que de perseguidor tornou-se ardoroso anunciador, Paulo, apóstolo das nações (cf. At 9,1-22; Gl 1,23).
Jerusalém, Antioquia, Roma, Corinto, Éfeso e tantas outras comunidades iam se fortalecendo, enquanto novas comunidades surgiam (cf. At 11,19-26; At 18,1-11; At 19,1-10).
Os primeiros cristãos tinham tudo em comum; viviam, acima de tudo, a unidade e o desprendimento dos bens terrenos. Ninguém considerava exclusivamente seu o que possuía, mas tudo entre eles era comum (cf. At 4,32-35). Ninguém passava necessidade: a partilha era a lei, e o amor e a compaixão, o parâmetro de configuração a Cristo. Eram assíduos na oração, perseverantes nas tribulações e firmes diante das perseguições (cf. At 2,42-47).
Nenhum poder temporal conseguiu deter o avanço da Igreja, ainda que contra ela se levantassem duras provas: fome, privações, cárcere… Nada a fez recuar (cf. Rm 8,35-39). Como dizia Tertuliano, “o sangue dos mártires é semente de novos cristãos”; o sangue dos que deram a vida por Jesus tornou-se fonte de vigor para as comunidades. O martírio não afasta, atrai (cf. Hb 12,1-4; Mt 10,28).
A Igreja sofre, mas não se deixa sucumbir. Quer ser fiel ao seu Senhor, quer difundir a Boa-Nova, quer que “todos tenham vida e a tenham em abundância” (cf. Jo 10,10).


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