“Ide e proclamai!” (Mc 16,15): as variações da missão do cristianismo primitivo
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| Imagem de leandro_monsieur por Pixabay |
Desde os primeiros instantes após a ressurreição de Cristo, a Igreja nascente carregava em si um mandato que não podia ser ignorado. Não se tratava apenas de conservar um ensinamento recebido, mas de levá-lo além, de fazê-lo ecoar nos corações e nas culturas.
Era preciso recordar o ponto de partida: um pequeno grupo reunido em Jerusalém, ainda temeroso, mas sustentado pela promessa do Senhor e pelo fogo do Espírito que, em breve, os faria sair de si mesmos para alcançar o mundo.
“Ide por todo o mundo, proclamai o Evangelho a toda criatura.” (Mc 16,15); este foi o mandato do Senhor aos Doze e aos seus discípulos. Após a manifestação do Espírito Santo, em Pentecostes, abriram as portas do Cenáculo e procuraram colocar em prática a ordem recebida do Mestre.
O Evangelho foi anunciado destemidamente, expressivas e numerosas conversões acompanhavam o anúncio do querigma, inclusive para além das fronteiras de Jerusalém, chegando à Samaria, à Diáspora e aos gentios (ditos pagãos).
A expansão da Boa Nova era o objetivo comum de todos os enviados, a forma do anúncio e o público, porém, eram distintos, adaptações eram naturalmente necessárias a fim de que a Palavra chegasse com eficácia nas entranhas das diversas culturas. A infraestrutura romana era muito bem utilizada para atingir esta finalidade, pois facilitava o acesso às cidades capitais das províncias.
Paulo de Tarso, apóstolo destemido e incansável desenvolveu sua ação missionária entre os gentios. Ele concentrava-se nas cidades capitais e portuárias, grandes centros econômicos e culturais, onde havia um enorme fluxo de transeuntes. Seu objetivo: “submeter o mundo ao poder do Evangelho”; não um poder impositivo, mas de atração. Outros preocupavam-se em evangelizar apenas os cristãos judaizantes, Paulo transpôs as barreiras e foi além.
Outros missionários pregavam a pressa escatológica, acreditavam profundamente na vinda eminente do Senhor. A Fonte Q, conduzida por casais priorizavam locais fixos, e anunciavam boca a boca; eram radicais no modo de vida, viviam na simplicidade e se hospedavam nas casas, procurando promover a paz.
Os Sete diáconos, por sua vez desenvolviam a missão urbana, atuando como profetas e mestres. Após a morte de Estêvão puseram-se a amparar os judeus marginalizados, admitiam o Batismo como substituição à prática da circuncisão, também admitiam pagãos em seu meio.
Em síntese, muitos meios foram empregados para que o mandato do Senhor tivesse pleno cumprimento. Entretanto, todos, independente da forma, atenderam ao apelo do ressuscitado, suscitando no coração de todos os desejos de salvação e de liberdade.
Diante disso, que nos dias de hoje, mesmo em meio à diversidade de carismas, ministérios e modos de evangelizar, tudo encontre unidade no mesmo sopro do Espírito que moveu a Igreja nascente.
Que cada palavra proclamada, cada gesto de serviço, cada anúncio silencioso ou ardente, convirja para o único horizonte que nos foi dado: fazer ressoar o Evangelho nos corações e nas culturas, levando esperança aos aflitos, luz aos que caminham nas trevas e paz aos que buscam sentido.
E assim, com alegria e coragem, continuemos a cumprir, de geração em geração, o mandato de Jesus: Ide e proclamai!

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